Reciclagem, a situação dos lixões e catadores no Brasil e a Política Nacional de Resíduos Sólidos foram discutidas esta semana, durante o Ciclo de Debates Brasil Sustentável – O Caminho para Todos, promovido pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) no Espaço Tom Jobim do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. O evento, que antecede a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio +20), reúne representantes do governo, sociedade e empresas públicas e privadas.
"Essa discussão sobre os desafios socioambientais
da reciclagem no âmbito da Política Nacional de Resíduos Sólidos busca apontar
soluções do ponto de vista da capacidade de gestão e do trabalho promovido com
catadores de lixo, tornando-os parceiros ambientais", destacou o diretor
de Ambiente Urbano da Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano (SRHU)
do MMA, Silvano Silvério da Costa. Para ele, mostra-se mais do que necessário
para o pleno funcionamento da política, o trabalho de valorização daqueles
tratam diretamente com lixo e reciclagem.
DESAFIOS
O prefeito da cidade paranaense de Paranaguá e
vice-presidente para Assuntos das Cidades Portuárias da Frente Nacional de
Prefeitos, José Baka Filho, apontou os principais desafios das cidades e
municípios brasileiros em acabar com os lixões até 2014. "Todos nós temos
consciência que os lixões são um enorme problema, uma doença enorme dentro da
cidade que gera, além de problemas de ordem ambiental, problemas de ordem
burocrática para acabar com ele", salientou.
Também participou das discussões o diretor de Assuntos
Governamentais, Comunicação e Sustentabilidade para a Copa do Mundo da Fifa
2014 e Jogos Olímpicos de 2016 e presidente do Compromisso Empresarial para a
Reciclagem (Cempre), Victor Bicca. Ele vem liderando os debates no país sobre a
Política Nacional de Resíduos Sólidos e desenvolvimento do modelo de
cooperativas de catadores.
Segundo Bicca, a iniciativa tem todas as
possibilidades para colocar o Brasil na vanguarda da reciclagem mundial.
"Mais do que preservação, estamos tratando de inclusão social, com a
participação de toda a sociedade engajada no processo", disse. Para ele, é
preciso ampliar as ações desenvolvidas no setor de reciclagem para dar mais
valor ao material colhido no processo.
O empresário explicou, ainda, a plataforma social que
foi fortificada por meio das cooperativas na gestão de resíduos e o trabalho
promovido com o pequeno catador, que se tornou pequeno empreendedor no processo
social. "Queremos eles tenham condições dignas de trabalho e possam
crescer cada vez mais", acrescentou.
GESTÃO SOCIAL
O coordenador do Movimento Nacional de Catadores de
Materiais Recicláveis e Reutilizáveis da Cidade do Rio de Janeiro, Custódio da
Silva, começou na atividade no Jardim Gramacho, onde trabalhou por 16 anos.
Hoje, trabalha no bairro carioca Bangu. "Para nós, o desafio é fazer
chegar ao conhecimento da categoria de catadores de lixo que existe a Política
Nacional de Resíduos Sólidos, e ele deve conhecer passo a passo todos os
benefícios e mudanças trazidas por ela", assegurou.
A indústria participou das discussões com a presença
diretor de Responsabilidade Socioambiental da Associação Brasileira da
Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), André Saraiva. Ele citou números de
descarte de produtos eletroeletrônicos no Brasil. Cerca de 35% das pessoas
guardam esses produtos em casa; 29% fazem doações dos produtos que não usam
mais; 19% vende; 7% jogam no lixo e outros 10% não informaram o que fazem com
os produtos. "Essa é a fotografia da sociedade de consumo de
eletroeletrônicos no país, vemos a necessidade de rever os padrões de
pós-consumo de produtos da categoria", finalizou.
Ministério do Meio Ambiente

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