terça-feira, 18 de setembro de 2012

Reciclagem no Brasil alcança menos de 2% de todo o potencial

Foto: Agência Brasil

A reciclagem é muito baixa no Brasil, segundo avalia o secretário da Associação Brasileira de Resíduos Sólidos e Limpeza Pública (ABLP), Antonio Simões Garcia

Latas de alumínio para reciclagem: segundo o diretor do Cempre, se forem formados 450 consórcios no Brasil, a questão será resolvida
O Brasil ainda tem 4 mil lixões e apenas 30% a 40% do lixo total coletado no país são dispostos em aterros sanitários adequados. Além disso, a reciclagem é muito baixa no Brasil, segundo avalia o secretário da Associação Brasileira de Resíduos Sólidos e Limpeza Pública (ABLP), Antonio Simões Garcia. Ele informou que os serviços de aproveitamento de material descartado não transformam no país sequer 2% do volume que pode ser reciclado.

À Agência Brasil, Garcia disse que estão “muito próximos da realidade” os números divulgados hoje (14) na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2008-2009, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), segundo os quais apenas 40% do lixo separado dentro de casa pelos brasileiros são coletados seletivamente ao chegarem na rua.

Alex Cardoso, da coordenação nacional do Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), acrescentou que, do total de lixões ainda existentes no Brasil, 1,7 mil estão na Região Nordeste. “Chega a ter cidades com dois lixões”, informou. O MNCR avalia que há grande mobilização da sociedade em torno da Política Nacional de Resíduos Sólidos, que exige a coleta seletiva para municípios com mais de 30 mil habitantes.

Na avaliação de Cardoso, no entanto, esse processo ainda é “tímido” no Brasil, “porque a política já tem dois anos e cerca de 40% dos municípios brasileiros ainda têm lixões e não dispõem de sistema de coleta seletiva”. O integrante do MNCR lembra que, até 2014, os lixões terão que ser desativados. Segundo ele, com a implantação da coleta seletiva e a desativação dos lixões, haverá também a inclusão dos catadores.
O MNCR está preocupado com a disposição de alguns municípios de incinerar os resíduos para geração de energia. Alex Cardoso avaliou que essa é uma atividade negativa. Além de ser uma tecnologia cara, não inclui os catadores e é prejudicial à saúde humana e ao meio ambiente, na medida em que libera gases causadores do efeito estufa.

Alguns países vivem o caminho inverso da logística 
A realidade dos países nórdicos é realmente muito diferente da nossa. O mais recente problema da Suécia é a falta de lixo. É isso mesmo. Eles têm um programa de Reciclagem tão eficiente que somente 4% de tudo que é gerado vai parar nas latas de lixo. O problema é que, com isso, não sobram resíduos suficientes para produzir calor e eletricidade nas usinas do país. A solução será importar, anualmente, cerca de 800 mil toneladas de lixo do resto da Europa. A maior parte virá da vizinha Noruega. Pelo acordo, a Noruega paga para a Suécia retirar os detritos. Eles são queimados e as cinzas que sobram voltam para serem enterradas nos aterros sanitários noruegueses.

Com informações: Agência Brasil e O Globo

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