sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Consultórios dentários podem ser sustentáveis


O mercúrio e a prata, usados para criar material usado nas obturações, é uma substância altamente prejudicial ao meio ambiente. Conheça o trabalho de uma empresa que recolhe as sobras do material e faz a reciclagem.

A poluição causada pelos consultórios odontológicos tem origem nos resíduos gerados durante a restauração dentária. O amálgama, resultado da fusão do mercúrio com a prata, é usado para preencher as cavidades nos dentes, as chamadas obturações.

O problema é que o mercúrio e a prata fundidos se transformam numa massa que, no lixo comum, pode liberar vapor de mercúrio na atmosfera, uma substância altamente tóxica. E a ingestão de água ou alimentos contaminados por mercúrio pode causar doenças como anemia, paralisia facial, câncer e até mutações genéticas, além de prejudicar o sistema nervoso central, fígado, rins e pulmões.


Como descartar o mercúrio de forma sustentável
Um programa pioneiro foi desenvolvido por uma cooperativa de dentistas em Campinas, no interior de São Paulo, em parceria com uma empresa recicladora.

“Colocamos os potes à disposição de todos os nossos 1500 dentistas. Ao realizar o procedimento de restauração em amálgama, o dentista recolhe o resíduo e deposita no potinho. Assim que tiver uma quantidade suficiente, ele nos entrega e a empresa retira os potes a cada dois ou três meses”, explica Vladimir Borin, diretor de relações cooperativas.

A empresa já recolheu mais de 36 quilos em cinco anos. “Consideramos um sucesso", diz Vladimir.
A empresa que recolhe o material realiza a descontaminação. Lá, o amálgama passar pelo processo inverso do que houve no consultório odontológico. "Para que o mercúrio, sensível à ação do calor, se transforme num gás que pode ser esfriado e recuperado no seu estado líquido elementar”, explica Eduardo Sebben, diretor superintendente.

O mercúrio escorre pela torneira e o que sobra no forno é prata, com alto valor de mercado. “Esse mercúrio é destinado para a própria indústria de amálgama dentário, ou para a indústria de termômetros ou eletroeletrônica entre outros fins”, diz Eduardo.A empresa estima que no Brasil sejam usadas de 15 a 20 toneladas de mercúrio ao ano para produção de amálgama dentário, cerca de 3% do total consumido no país.

“A relevância é justamente essa, tirar esses materiais do meio ambiente para que a gente deixe de trazer matérias virgens da natureza e passe a reutilizar o mercúrio e a prata nos seus diversos fins”, conclui o diretor.

Fonte: G1

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